segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Marianna Teixeira Soares, a agente literária dos novos autores

Depois de uma carreira de dez anos em duas grandes editoras, carioca se consolida como representante de jovens escritores brasileiros


Já Luisa Geisler se lembra bem de quando almoçou com Marianna pela primeira vez. A escritora já sabia ter sido selecionada para a “Granta”, mas o anúncio não havia sido feito — por isso ela manteve segredo. Quando os eleitos foram divulgados, ela não quis saber do assédio de outros agentes.

— O fato de ela já conhecer e gostar do meu trabalho antes de saber que eu tinha sido selecionada me passou muita confiança — diz Luisa. — Sem falar que eu sou tímida, e ela é superaberta. Eu acabaria ficando com vergonha de negociar. E também não entendo nada de contrato.

Um adjetivo vem à mente dos autores quando alguém pede para descreverem sua agente literária: pilhada. Xerxenesky chega a dizer que Marianna é “quase hiperativa”. Mas eles também veem nessa característica um dos motivos que os fizeram aceitá-la como agente. Isso e a possibilidade de conseguirem traduções no exterior.

— Eu sempre me virei muito bem com essa coisa de negociar contratos. Acho que para mim ela foi mais importante para conseguir publicações fora do país — conta o carioca Marcelo Moutinho, que acaba de entrar na antologia “Book of Rio”, da inglesa Comma Press, só com contos ambientados no Rio de Janeiro. — Ela também faz uma tentativa de aproximar autores uns dos outros que eu acho muito positiva.

Moutinho está falando de outra vocação de Marianna Teixeira Soares, a de agitadora cultural. Nos últimos tempos, ela anda organizando jantares em sua casa no Jardim Botânico para promover encontros entre escritores — não apenas os seus —, artistas, editores e amigos. O assunto dos jantares? Ora, literatura.

— Quero que as pessoas se reúnam e se conheçam. Quero criar essa conexão entre os autores da agência, porque acho que eles têm muita coisa em comum — afirma ela.

De olho em editoras independentes

Marianna sabe que em seus jantares circula um tipo de autor que o mercado brasileiro nem sempre valoriza. Afinal, Paulo Coelho e Luis Fernando Verissimo são os únicos escritores brasileiros que costumam frequentar a lista de mais vendidos de ficção — as exceções que confirmam a regra. Mas ela acredita que esse cenário pode mudar. Ela diz que os adiantamentos vultuosos dos leilões internacionais são uma pressão para fazer uma obra vender — daí o investimento maior na divulgação dos livros estrangeiros, com resultado concreto nas vendas.

— Se você faz o mesmo por um autor brasileiro, ele vai vender, sim. Talvez o editor nacional precise se voltar mais para a nossa literatura para perceber isso. Tem editor que nem faz catálogo brasileiro — afirma Marianna. — Para entrar no mercado com uma operação como a das grandes editoras, com muitos lançamentos por mês, o livro estrangeiro é mais fácil.

Enquanto as grandes apostam pouco, a agente literária procura seus novos autores num lugar para onde nem todos olham: as editoras independentes. Vários de seus escritores são publicados por casas assim (Paula Fábrio, por exemplo, publicou seu romance “Desnorteio” pela pequena Patuá). A casa de Marianna é cheia de revistas como “Arte e letra” ou “Mapa”, todas publicações independentes, nas quais também busca talentos.

— Hoje há autores novos e autores estabelecidos sendo publicados por casas pequenas. E elas têm um papel importantíssimo na movimentação da nossa cena literária — defende.

Fonte - O Globo

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